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    Home » Casos de traição na direita acendem alerta para eleição ao Senado
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    Casos de traição na direita acendem alerta para eleição ao Senado

    AGENCIA CAFPor AGENCIA CAFabril 22, 2026Nenhum comentário8 minutos de leitura0 Visualizações
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    A senadora Soraya Thronicke (PSB-MS), eleita em 2018 pelo PSL e vice-líder do governo Bolsonaro no Congresso em 2021, votou na terça-feira (14) contra o relatório final da CPI do Crime Organizado, rejeitado por 6 votos a 4, ajudando a impedir o indiciamento de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação de abusos da Corte se tornou, nos últimos anos, uma das pautas mais importantes justamente para o eleitorado que a projetou nacionalmente.

    O caso de Soraya não é isolado. Ao longo dos últimos anos, outros nomes que cresceram politicamente na onda do ex-presidente Jair Bolsonaro e da guinada direitista no país seguiram trajetórias difíceis de conciliar com a imagem que exibiam inicialmente. As traições envolvem não só mudanças partidárias ou rupturas pessoais, mas até mesmo cargos assumidos no governo Lula, denúncias contra antigos aliados e decisões institucionais que barraram pautas simbólicas para a direita.

    Em 2018, impulsionado por Bolsonaro, o PSL saltou de oito para 52 deputados eleitos na Câmara e de nenhum para quatro representantes no Senado. Figuras da então “nova direita” também se elegeram por outras legendas, e analistas indicavam uma guinada à direita e ao conservadorismo em ambas as casas do Congresso. Isso se reforçou em 2022, mesmo com o retorno ao poder do presidente Lula, com a eleição do chamado “Congresso mais direitista da história”.

    Com o tempo, porém, toda essa transformação se mostrou praticamente inócua. Houve casos de ruptura pessoal com Bolsonaro ou de abandono completo dos valores associados à direita, além de situações de adaptação para preservar o poder e acordos com o Centrão. Em meio a isso, presidentes da Câmara e do Senado eleitos com o apoio de parlamentares da direita e do próprio Bolsonaro se recusaram a dar encaminhamento a pautas direitistas, como as de impeachment de ministros do STF ou de anistia aos presos do 8 de janeiro.

    A repetição da dinâmica de traição ao eleitorado direitista acende um alerta para o pleito de 2026, em meio à aposta de que uma guinada no Senado pode limitar os abusos do STF e mudar os rumos do país. Como mostram diversos casos desde 2019, a eleição de muitos nomes associados à direita não garante fidelidade a causas direitistas. Relembre alguns casos.

    “Jamais desviaria do meu compromisso com as pessoas que confiaram seus votos a mim”, disse Soraya Thronicke em 2021

    Soraya Thronicke foi eleita senadora em 2018 pelo PSL, partido de Bolsonaro, e consolidou sua posição no campo governista ao assumir, em 2021, a vice-liderança do governo no Congresso. Naquele momento, sua imagem pública estava diretamente associada ao eleitorado de direita, como mostram declarações da própria senadora.

    “As pautas que nos elegeram, o presidente Bolsonaro e eu, são as mesmas, e sempre me mantive fiel a elas, pois são demandas da população brasileira”, disse a senadora em 2021, quando foi escolhida para a vice-liderança do governo Bolsonaro no Congresso, de acordo com o site Campo Grande News. “Jamais desviaria do meu compromisso com as pessoas que confiaram seus votos a mim”, acrescentou.

    A mudança começou a ocorrer na CPI da Pandemia, criada naquele mesmo ano. Soraya passou a se distanciar do ex-presidente, rebateu críticas de Bolsonaro à comissão e, em 2022, lançou candidatura própria à Presidência, distanciando-se de pautas defendidas por seus eleitores em 2018. Em 2026, filiou-se ao PSB, um partido de esquerda. Agora, em abril de 2026, votou contra o relatório da CPI do Crime Organizado que pedia o indiciamento de três ministros do STF.

    Heitor Freire pediu na Justiça extinção do PT e depois ganhou cargo no governo Lula

    Um caso emblemático é o de Heitor Freire (Podemos-CE), eleito deputado federal em 2018 no Ceará como “o federal de Jair Bolsonaro”, de acordo com o jornal cearense “O Povo”. Em sua apresentação pública, se definia como “cristão, conservador, armamentista e bolsonariano”. Em 2019, chegou a pedir à Justiça Eleitoral a cassação do registro do PT, citando dados da Operação Lava Jato.

    O racha do PSL, em 2019, mudou sua trajetória. Freire apareceu em reportagens sendo acusado de ter vazado um áudio envolvendo Bolsonaro sobre articulações para mudar a liderança do governo na Câmara. Ele negou a veracidade da acusação. Em 2020, prestou um depoimento incluído no inquérito das Fake News denunciando a existência do “gabinete do ódio” no governo Bolsonaro. Em 2023, no início do governo Lula, foi nomeado para uma diretoria na Sudene, em acordo do presidente com o seu então partido, o União.

    Joice Hasselman virou líder do PSL na Câmara e, após briga interna, denunciou o chamado “gabinete do ódio”

    Joice Hasselmann foi um dos maiores fenômenos eleitorais de 2018. Eleita deputada federal em São Paulo pelo PSL com mais de 1 milhão de votos – maior votação da história para uma mulher deputada no país –, ela entrou no início do governo Bolsonaro com uma posição privilegiada: foi escolhida pelo próprio presidente como líder do PSL na Câmara em 2019.

    Ainda em 2019, porém, foi retirada do posto em meio a uma guerra interna do PSL. Meses depois, compareceu à CPMI das Fake News e passou a denunciar publicamente o chamado “gabinete do ódio”. “São quase 2 milhões de robôs em apenas duas contas de Twitter. Eu quero crer que o presidente não sabe disso. Mas, pelo que se vê nas conversas do grupo do ‘Gabinete do Ódio’, o deputado Eduardo Bolsonaro está amplamente envolvido e é um dos líderes desse grupo que nós chamamos de milícia digital”, afirmou ela à CPMI.

    Em 2021, buscou na Justiça Eleitoral a desfiliação do PSL e migrou para o PSDB, pelo qual tentou a reeleição para deputada federal, sem sucesso e com pouco mais de 13 mil votos. Mais tarde, foi para o Podemos e, em 2024, tentou se eleger vereadora em São Paulo, fracassando novamente, com menos de dois mil votos.

    Alexandre Frota “fez o L” em 2022

    Alexandre Frota também chegou à Câmara em 2018 pelo PSL. No início do mandato, ainda era associado ao grupo antipetista, integrando a leva de parlamentares que se projetaram na esteira de Bolsonaro.

    O rompimento foi rápido. Em agosto de 2019, Frota foi expulso do PSL após persistir em críticas ao ex-presidente. Depois, filiou-se ao PSDB, prestou depoimento em apurações sobre supostas milícias digitais da direita e rompeu também com o PSDB quando a legenda se aproximou de Bolsonaro para as eleições de 2022. Declarou apoio a Lula no segundo turno daquele ano, com direito a foto “fazendo o L”. Em 2024, virou vereador de Cotia (SP) pelo partido de esquerda PDT.

    Eleito com apoio de caminhoneiros, Nereu Crispim foi ao STF para barrar CPI do Abuso de Autoridade

    Nereu Crispim foi eleito deputado federal em 2018 pelo PSL do Rio Grande do Sul, na esteira da explosão do partido de Jair Bolsonaro, e tinha forte alinhamento com o governo nas votações da Câmara até abril de 2021. Ligado à pauta dos caminhoneiros, votou com o governo em temas como a reforma da Previdência e o pacote anticrime de Sergio Moro.

    A virada começou em 2021, quando passou a acusar Bolsonaro de ter frustrado os caminhoneiros e afirmou que o então presidente trabalhava “para banqueiro e investidor”. Em 2022, durante os bloqueios nas estradas no pós-eleições, disse que a categoria estava sendo usada como “bucha de canhão de golpistas”. No mesmo ano, já no PSD, foi além: entrou no STF para tentar barrar a CPI do Abuso de Autoridade, proposta pelo deputado Marcel van Hattem (NOVO-RS) para investigar ministros do Supremo e do TSE, e ainda pediu o envio do caso ao inquérito das milícias digitais. Também acabou derrotado na tentativa de reeleição.

    Pacheco e Alcolumbre, eleitos com apoio de Bolsonaro à Presidência do Senado, arquivaram pedidos de impeachment de ministros do STF

    Rodrigo Pacheco (PSB-MG) e Davi Alcolumbre (UNIÃO-AP) não nasceram politicamente na esteira de Bolsonaro, mas conseguiram ascender ao comando do Senado por causa de arranjos políticos com a direita.

    Em fevereiro de 2021, Pacheco foi eleito presidente da Casa numa candidatura apoiada pelo governo Bolsonaro. Seis meses depois, em agosto de 2021, Pacheco rejeitou e arquivou o pedido de impeachment de Alexandre de Moraes apresentado por Bolsonaro. Em 2023, com apoio de Lula e de parte do Centrão, foi reeleito à Presidência do Senado derrotando o senador Rogerio Marinho (PL-RN).

    Alcolumbre teve trajetória semelhante. Foi presidente do Senado logo no início do mandato de Bolsonaro em 2019. Em 2021, articulou a eleição de Rodrigo Pacheco para a presidência do Senado. Em fevereiro de 2025, já sob Lula, voltou ao comando da Casa com 73 votos. Até hoje, travou todas as pautas da direita contra os abusos do STF.

    FONTE

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