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    Home » Cigarros eletrônicos são mesmo cancerígenos? – 02/04/2026 – Equilíbrio e Saúde
    Saúde

    Cigarros eletrônicos são mesmo cancerígenos? – 02/04/2026 – Equilíbrio e Saúde

    AGENCIA CAFPor AGENCIA CAFabril 2, 2026Nenhum comentário5 minutos de leitura0 Visualizações
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    Por muito tempo, os cigarros eletrônicos foram encarados como menos prejudiciais do que o tabaco, com menos substâncias tóxicas e como um hipotético caminho para sair do vício. No entanto, a promessa de que o produto é uma alternativa menos danosa está sendo cada vez mais contestada: pesquisadores e instituições apontam que o vape apresenta riscos à saúde, incluindo um possível risco de câncer.

    Uma nova revisão, publicada na revista especializada Carcinogenesis, fomenta novamente o debate. Uma equipe internacional de cientistas analisou trabalhos de pesquisa realizados desde 2017 sobre o tema e chegou à conclusão de que os cigarros eletrônicos com nicotina são “provavelmente cancerígenos” e podem causar câncer de pulmão e de cavidade bucal.

    Mas o que significa ‘provavelmente cancerígenos’?

    A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC, na sigla em inglês), órgão especializado em estudos sobre o câncer da OMS (Organização Mundial da Saúde), classifica as substâncias de acordo com a solidez das evidências científicas em três grupos:

    Grupo 1: cancerígeno para os seres humanos (fumo de tabaco, consumo de álcool, radiação UV);

    Grupo 2A: provavelmente cancerígeno (carne vermelha, trabalho noturno);

    Grupo 2B: possivelmente cancerígeno (consumo de café).

    Ainda não há, no entanto, uma classificação oficial para os cigarros eletrônicos.

    Quais são as evidências?

    Para a revisão, os pesquisadores avaliaram estudos de biomarcadores, modelos animais, análises de ingredientes químicos, relatos de casos e revisões sistemáticas.

    De acordo com os resultados, o vaporizador ativa vários processos biológicos associados ao desenvolvimento de câncer. Entre eles estão danos ao DNA, estresse oxidante, reações inflamatórias, alterações epigenéticas, bem como níveis elevados de nitrosaminas, compostos orgânicos voláteis (COV) e metais pesados. Algumas dessas substâncias já fazem parte da lista de carcinógenos do Grupo 1 da IARC.

    Faltam dados de longo prazo

    Embora as evidências tenham aumentado, continua difícil avaliar claramente o risco de câncer, e o motivo principal é: faltam dados de longo prazo.

    “Os cigarros eletrônicos só estão amplamente disponíveis desde cerca de 2010, mas o câncer de pulmão tem um período de latência de 20 a 40 anos”, explica Martin Widschwendter, professor de Prevenção e Rastreamento do Câncer na Universidade de Innsbruck, na Áustria, que não participou da revisão. Portanto, uma avaliação epidemiológica confiável não seria viável no momento.

    A situação é ainda mais complicada pelo fato de que a maioria dos usuários de cigarros eletrônicos já fumava tabaco anteriormente. Os efeitos de ambos os produtos, portanto, dificilmente podem ser separados em muitos estudos.

    “Mas isso não é um sinal de alívio, e sim uma questão de tempo. No caso do tabaco, levou décadas até que a epidemiologia alcançasse a biologia. Não devemos repetir esse erro com os cigarros eletrônicos”, enfatiza Widschwendter.

    Outros pesquisadores independentes também analisaram os resultados. Gavin Stewart, especialista em síntese de evidências da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, observa os dados com cautela, já que a revisão não cumpre, integralmente, alguns padrões metodológicos, razão pela qual suas conclusões devem ser vistas “com moderação”.

    Stephen Burgess, bioestatístico da Universidade de Cambridge, também no Reino Unido, afirma que o estudo identifica vários mecanismos biológicos plausíveis —as chamadas “evidências irrefutáveis”.

    Essas evidências mostram que, teoricamente, existem maneiras pelas quais o uso de cigarros eletrônicos poderia aumentar o risco de câncer. Ao mesmo tempo, porém, ele também adverte contra exageros na interpretação: seria difícil apresentar provas conclusivas de uma relação causa-efeito em seres humanos. Ele considera até mesmo possível que uma comprovação inequívoca nunca possa ser apresentada.

    Para muitos, a questão central permanece: o vape é menos perigoso do que o tabaco? Ute Mons, diretora do Centro de Pesquisa do Câncer da Alemanha(DKFZ), destaca que a quantidade e a concentração de substâncias cancerígenas no aerossol dos cigarros eletrônicos são “em geral, significativamente menores” do que na fumaça do tabaco. Por isso, é plausível que o potencial cancerígeno também seja menor.

    Mons, porém, alerta expressamente contra confundir essa redução relativa do risco com uma hipotética certeza: “Isso não significa que os cigarros eletrônicos devam ser classificados como inofensivos”.

    Embora mudanças possam reduzir a força de substâncias nocivas, ainda não está totalmente claro se e em que medida isso altera o risco de câncer, como também destaca o DKFZ em um relatório secundário.

    Conclusão: um sinal de alerta, (ainda) não um veredicto

    A nova análise não é constituída de uma avaliação definitiva dos riscos, mas pode ser entendida como um novo alerta: as evidências de um possível risco de câncer tornaram-se mais claras. Mas ainda faltam dados científicos decisivos.

    Os autores do levantamento também enfatizam que são necessárias mais pesquisas para compreender melhor quais outros órgãos podem ser particularmente afetados, quais grupos populacionais apresentam risco elevado e para identificar quais substâncias químicas contribuem para o risco.

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    A IARC já classificou a análise de cigarros eletrônicos para o período de 2025 a 2029 como de “alta prioridade”. Até o fim desta década, provavelmente, será possível saber se as evidências levarão a uma classificação oficial formal, já que a priorização significa que os cigarros eletrônicos deverão, de fato, ser analisados pela IARC.

    Para a própria saúde, entretanto, a recomendação mais segura continua sendo abandonar completamente o tabagismo e o uso de cigarros eletrônicos.

    FONTE

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