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    Home » Etanol de milho vira aposta do agronegócio brasileiro
    Saúde

    Etanol de milho vira aposta do agronegócio brasileiro

    AGENCIA CAFPor AGENCIA CAFfevereiro 14, 2026Nenhum comentário6 minutos de leitura0 Visualizações
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    Apesar de a soja ainda ser a rainha do agronegócio brasileiro, o milho vem ampliando sua relevância econômica e estratégica para o setor. Um dos fatores que mais pesa para isso é o etanol de milho, que tem registrado crescimento ano após ano no Brasil. 

    Além de ser muito vantajoso do ponto de vista econômico, a tecnologia do etanol pode ser uma alternativa à descarbonização da frota e ainda agregar maior valor a um produto essencial na alimentação humana e animal. 

    Segundo o Ministério de Minas e Energia, o Brasil já é o segundo maior produtor de etanol de milho no mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos. A produção passou de 2,59 bilhões de litros na safra 2020/21 para projeções que chegam próximo a 10 bilhões na safra 2025/26.  

    O crescimento significativo se dá em razão do aumento no número de biorrefinarias pelo país, sobretudo na região centro-oeste. Outras indústrias, porém, já estão em construção em diferentes estados, como a usina da cooperativa Coamo, em Campo Mourão, no centro-oeste do Paraná. Com investimento de R$ 1,7 bilhão, a nova usina de etanol deve iniciar as operações no segundo semestre deste ano.  

    Ao contrário de outras grandes biorrefinarias, a usina paranaense deve se integrar a um parque industrial que já beneficia outras commodities e está integrado a uma cadeia de produção que tem o milho como principal insumo. “Precisamos agregar valor à produção, e uma das maneiras é por meio da verticalização. Já fazemos isso com a soja, o trigo e vamos fazer também com o milho”, afirma o presidente da Coamo, Airton Galinari.  

    O Paraná é o maior produtor de proteína animal do Brasil – líder em carne de frango e vice em carne suína, sem contar a liderança na produção de peixes de cultivo, como a tilápia. Como o milho é a base da alimentação desses animais, o estado já se tornou vice-líder na produção brasileira e tem no etanol um aliado importante para fortalecer toda a cadeia produtiva.  

    Cada tonelada de milho produz em torno de 450 litros de etanol e 300 quilos de farelo, além de óleo e energia. O farelo, chamado tecnicamente de DDG (Distillers Dried Grains ou “Grãos de Destilaria Secos”), contém alto teor de proteína, fundamental na nutrição animal e alternativa mais econômica na comparação com o farelo de soja.

    Portanto ao processar o milho, produtores aumentam significativamente o valor agregado com novos produtos e coprodutos (etanol, DDG, óleo, energia) e ainda reduzem custos na cadeia de produção de proteína animal, sem contar os benefícios ambientais.

    VEJA TAMBÉM:

    • Juro alto e margem apertada impõem era da eficiência ao agronegócio

    Etanol de milho no centro da transição energética

    O avanço do etanol de milho ocorre em um momento em que a redução das emissões de carbono passa a ser também uma exigência comercial para atender mercados internacionais, e os biocombustíveis surgem como alternativa já consolidada.

    Poucos sabem, mas o motor a álcool é uma inovação totalmente brasileira. Desenvolvida na década de 1970, a tecnologia surgiu em resposta à crise do petróleo e se consolidou no mercado nacional com a mistura do álcool à gasolina, atualmente em 30%, e, mais tarde, com a introdução dos motores flex.

    As preocupações ambientais tornaram os veículos flex uma alternativa econômica e mais “brasileira” se comparado aos veículos elétricos movidos a bateria, cuja tecnologia é trazida de fora, principalmente da China, e com custos mais elevados, sem contar que as baterias utilizam componentes não-renováveis.  

    O governo federal, que tenta se mostrar internacionalmente preocupado com questões ambientais, enfrenta um dilema: deseja consolidar o etanol como alternativa à descarbonização da frota, mas não quer desagradar os aliados chineses que estão apostando no Brasil como um dos principais mercados para seus veículos elétricos. 

    O Ministério de Minas e Energia tem afirmado que o governo “não trabalha com a lógica de uma única solução para a descarbonização da mobilidade” e que as tecnologias “desempenham um papel complementar, combinando eficiências energéticas, eletrificação (quando fizer sentido econômico) e biocombustíveis”. 

    Por outro lado, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) – representante das montadoras que fabricam em sua maioria veículos movidos a biocombustíveis, como o etanol – tem outro ponto de vista.

    “Quando analisamos o ciclo de vida entre as diferentes tecnologias de propulsão, o veículo, quando movido a etanol, possui uma pegada de carbono similar à do veículo elétrico, devido ao fato de a produção da bateria para esses veículos ainda representar uma grande proporção na contabilização de suas emissões totais. O Brasil tem os automóveis com menor emissão de CO2 do planeta”, afirma Gilberto Martins, diretor de Assuntos Regulatórios da Anfavea.

    Produção de milho etanolProdução de milho ganha novo papel estratégico ao abastecer biorrefinarias e ampliar a geração de energia e coprodutos no agro brasileiro. (Foto: Wenderson Araujo/CNA)

    Produção de etanol não ameaça o abastecimento

    Crescendo da maneira como está e sendo tão importante na alimentação humana e de animais, tanto de produção quanto domésticos, é de se questionar se pode faltar milho no mercado.

    Para o professor Lucílio Alves, do Departamento de Economia, Administração e Sociologia da Universidade de São Paulo (USP), não há o que temer. “Nas últimas seis safras a produção doméstica cresceu 37,5%, e o consumo interno, 35,1%. Com isso, o excedente doméstico subiu 7,7%, ficando entre 34,3 milhões e 61,8 milhões de toneladas”. 

    Além disso, Alves argumenta que há um aumento na oferta do milho no país, sobretudo porque o cereal responde melhor aos estímulos do mercado – isto é, se o preço sobe, a produção também aumenta.  

    Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), “o aumento da produção de etanol de milho não é visto como um fator de desestímulo à produção de alimentos essenciais, desde que inserido em um modelo de desenvolvimento agrícola equilibrado”. 

    A pasta informou também que as lavouras usadas para produção de etanol de milho estão consolidadas e fazem parte de sistemas integrados, com rotação de culturas. Assim, não substituem áreas de alimentos básicos. 

    O próprio Mapa estabeleceu políticas públicas para que pequenos e médios produtores plantem milho e se integrem à cadeia de produção de etanol, tais como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e o Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), que oferecem crédito rural. 

    VEJA TAMBÉM:

    • Agro supera tarifaço e gripe aviária e deve fechar 2025 com recorde de exportações

    Etanol de milho não deve gerar inflação

    Com boa oferta no mercado, dificilmente haverá uma inflação do milho, como já ocorreu com outros alimentos da cesta básica no Brasil, como o ovo, o café e o arroz.

    E além de não depender de importações, o milho apresenta outras vantagens. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, “a indústria de etanol de milho utiliza, majoritariamente, milho excedente da segunda safra, que não compete diretamente com o abastecimento interno destinado à alimentação humana”. 

    Ainda de acordo com Lucílio Alves, os coprodutos do milho, como os DDGs, reduzem a demanda, porque retornam ao sistema alimentar por meio da ração animal. “Além disso, a formação de preço do etanol no Brasil é fortemente influenciada pela paridade com a gasolina, o que limita o repasse direto e contínuo de custos ao consumidor”, pontua o professor da USP.

    “Embora haja maior exposição a oscilações de mercado, não há evidência de que o etanol de milho gere inflação persistente ou desorganize o sistema de preços, especialmente em um ambiente de oferta agrícola diversificada”, prossegue.

    VEJA TAMBÉM:

    • Um outro Master: há 20 anos, “pirâmide do avestruz” devorou economias de 40 mil brasileiros

    FONTE

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