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    Home » Série da Warner sobre Arautos vira alvo de ação no STF
    Beleza

    Série da Warner sobre Arautos vira alvo de ação no STF

    AGENCIA CAFPor AGENCIA CAFabril 1, 2026Nenhum comentário5 minutos de leitura0 Visualizações
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    A Warner Bros. apresentou nesta terça-feira (31) sua defesa em uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) que discute a tentativa de suspensão da exibição da série “Escravos da Fé: os Arautos do Evangelho”. Em resposta aos argumentos da instituição religiosa, a produtora nega ter utilizado informações de processos que tramitam sob segredo de Justiça. Segundo a empresa, ao sustentar a existência de supostas ilegalidades, os Arautos do Evangelho buscam impor censura prévia ao documentário.

    A produção reúne três episódios e a conta a atuação dos Arautos do Evangelho. Ao longo da série, supostas vítimas da associação relatam episódios de abuso e de manipulação psicológica no funcionamento da instituição religiosa. O documentário está disponível desde 12 de março na plataforma HBO Max, no Brasil e no exterior. A ação, no entanto, começou antes, sendo esse documento da Warner uma resposta ao último recurso apresentado pelos Arautos, três dias antes da estreia.

    Os Arautos do Evangelho afirmam que a Warner teria tido acesso indevido a duas ações judiciais que correm sob segredo de Justiça, o que, além de ilegal, teria exposto menores de idade e configurado perseguição religiosa. A entidade, com bases nesses argumentos, pediu a suspensão da exibição do documentário e solicitou que o processo movido contra a produtora também tramitasse em segredo de Justiça.

    A Warner, por sua vez, sustenta que as vítimas retratadas na série são as mesmas envolvidas nas ações judiciais, mas nega ter tido acesso aos autos sigilosos durante a produção. A produtora afirma que o conteúdo do documentário foi feito por investigação jornalística independente e que se baseia nos relatos das próprias vítimas, que concederam entrevista diretamente à produção. Outros documentos citados na série, aponta a Warner, são públicos, como o boletim de ocorrência da morte de uma religiosa da instituição.

    STJ chegou a impedir exibição da série

    O caso chegou ao STF após a Warner recorrer de uma decisão monocrática do ministro Benedito Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que determinou liminarmente a proibição da exibição da série. Em resposta ao recurso, o ministro do STF Flávio Dino, também de forma individual, suspendeu os efeitos da determinação do STJ.

    Para Dino, embora haja coincidência entre o conteúdo do documentário e os processos que tramitam sob sigilo, isso não implica, necessariamente, acesso indevido aos autos por parte da produtora. O ministro entendeu ainda que a suspensão da exibição caracterizaria censura prévia, prática vedada pela Constituição Federal e em desacordo com a jurisprudência consolidada da Corte.

    O último recurso apresentado pelos Arautos do Evangelho foi protocolado no último dia 9 de março, antes da estreia da série. A Warner sustenta, por isso, que se trata de uma tentativa de censura prévia, já que o STF adota a como regra a responsabilização a posteriori – isto é, após a exibição da obra, caso seja comprovada eventual ilicitude.

    No novo recurso, a instituição religiosa reiterou os argumentos de uso de documentos ilegais, exposição de menores de idades envolvidos e promoção de perseguição religiosa contra a Igreja Católica.

    Em documento de contrarrazões apresentado na última terça (31), a Warner destacou que não expõe nome, imagem ou dado pessoal de qualquer criança ou adolescente na obra. Segundo a empresa, todos os entrevistados que tiveram a identidade revelada são adultos. A produtora sustenta que o uso do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para impedir a exibição do documentário representa desvio de finalidade, já que a norma estaria sendo empregada como instrumento de “blindagem institucional”, e não de proteção às vítimas.

    Sobre as acusações de perseguição religiosa e intolerância à Igreja Católica, a Warner respondeu que “a obra não é uma manifestação contra a fé católica, mas sobre a conduta de uma instituição específica”. A empresa também argumenta que os fatos apresentados são de interesse público e cita reportagens da imprensa sobre denúncias semelhantes envolvendo os Arautos do Evangelho.

    “A liberdade religiosa não confere às instituições religiosas imunidade contra investigação jornalística, crítica pública ou responsabilização civil e penal por condutas de seus dirigentes. A confusão entre esses dois planos, proteção da fé e blindagem institucional, é precisamente o que o Agravante busca explorar, sem qualquer fundamento constitucional afirmou a Warner no documento apresentado ao STF.”

    Arautos pedem que processo contra Warner também tramite em sigilo

    A instituição católica voltou a pedir que o processo contra a produtora tramitasse integralmente sob segredo de Justiça, com argumento de que haveria cópias de documentos pertencentes a processos sigilosos. O pedido, no entanto, já havia sido rejeitado liminarmente por Flávio Dino em análise anterior.

    A Warner sustenta que eventuais documentos sensíveis devem receber tratamento específico e pontual, mas defende que o sigilo não deve ser estendido a toda a ação judicial. Segundo a empresa, a publicidade dos atos processuais deve ser a regra, com exceção apenas para informações efetivamente sensíveis.

    A produtora afirma ainda que o pedido de sigilo amplo vem sendo utilizado como instrumento de censura indireta. Para a Warner, o conteúdo discutido no processo é de interesse público e sujeito ao controle social. A imposição de segredo total, argumenta, criaria uma “zona de silêncio” em torno dos fatos e das motivações da ação judicial.

    A Gazeta do Povo procurou a defesa dos Arautos do Evangelho, que preferiu não se manifestar sobre o caso. Ela afirma que o processo se encontra em uma fase que ainda envolve desdobramentos relevantes e que qualquer posicionamento público seria precipitado.

    FONTE

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