Fechar menu
Giro ItabunaGiro Itabuna

    Assine atualizações

    Receba as últimas notícias criativas sobre arte, design e negócios.

    O que há de novo

    Impactos e Riscos para o Agronegócio

    maio 24, 2026

    Mmotociatas não estão nos planos de Flávio Bolsonaro – 24/05/2026 – Painel

    maio 24, 2026

    ‘Quem Ama Cuida’: Romulo Arantes Neto se despede de Pituxo – 23/05/2026 – Televisão

    maio 24, 2026
    Facebook X (Twitter) Instagram
    • Anunciar
    • Contato
    • Política de Privacidade
    • Termos De Uso
    Giro ItabunaGiro Itabuna
    • Início
    • Cultura
    • Beleza
    • Saúde
    • Política
    • Fofocas
    Giro ItabunaGiro Itabuna
    Home » De Olhos Bem Fechados e a fronteira invisível da perversidade
    Cultura

    De Olhos Bem Fechados e a fronteira invisível da perversidade

    AGENCIA CAFPor AGENCIA CAFfevereiro 9, 2026Nenhum comentário5 minutos de leitura0 Visualizações
    Facebook Twitter Pinterest LinkedIn Telegrama Tumblr E-mail
    Compartilhar
    Facebook Twitter LinkedIn Pinterest E-mail

    De Olhos Bem Fechados (1999), último filme de Kubrick, envelhece para frente. Cada época descobre ali uma camada nova. O objeto nunca foi um escândalo pontual. Kubrick investigou o autoengano do progressista moderno: a crença de que educação, renda e bons modos garantem livre circulação entre classes e códigos das pessoas distintas. A ilusão progressista desmorona diante da primeira fronteira invisível. Essa é uma semana oportuna para lembrar dessa obra-prima.

    Dr. Bill Harford (Tom Cruise) vive um casamento aparentemente estável com Alice (Nicole Kidman), curadora de arte. Após uma festa de Natal, a esposa confessa atração antiga por um desconhecido, um impulso tão forte que seria capaz de abandonar marido e filha. Para ser preciso, Alice conta um sonho em que fazia sexo com o oficial da marinha.

    A revelação desestabiliza Bill. A partir daí, ele vaga pelas ruas de Nova York, assombrado pela imagem da esposa com outro homem. A confissão atinge Bill onde sua identidade parece mais sólida: a convicção de controle e uma vida estável. Alice revela um mundo interno que escapa à vigilância de Bill. Kubrick filma sem melodrama.

    Essa fissura desorganiza Bill e o empurrará para o submundo do poder. Ele descobre que estabilidade social não equivale a soberania afetiva. A noite de errância nasce dessa ferida. Cada encontro funciona como tentativa de compensação. Prostituta, flerte, promessa implícita. Nada se consuma. O desejo permanece suspenso, sempre interrompido. Bill flerta, mas resiste.

    Em tempos de exposição permanente e escândalos públicos, Kubrick lembra que a superfície do choque raramente atinge o centro do poder.

    Ele ocupa o espaço intermediário entre poder e serviço. Médico convidado para festas sofisticadas, tratado com deferência. Ele se imagina próximo do centro. Tudo parece acessível. Portas se abrem, convites surgem, senhas circulam. A cidade noturna funciona como corredor social. Dinheiro, profissão e charme operam como chaves universais. Bill anda como quem domina o mapa. A tragédia discreta nasce dessa autoconfiança.

    O ponto de inflexão surge quando ele se infiltra em sociedade secreta que organiza orgias ritualísticas em mansão afastada, frequentada pela elite nova-iorquina. Durante o ritual, o Mestre de Cerimônias vestido com manto vermelho e máscara sinistra confronta Bill sobre senha que ele desconhece. Em geral, fixamos o olhar no erotismo. Kubrick dirige a atenção para a organização e toda liturgia satânica. Há hierarquia, coreografia, silêncio funcional. A trilha sonora não é um detalhe. Ele nos empurra para um ambiente perturbador. Ali, o sexo funciona como linguagem de coesão interna. Cada gesto cumpre função. Cada corpo ocupa lugar substituível.

    Bill entra como observador. Erro decisivo. O ritual tolera participantes, jamais curiosos. O liberal ilustrado acredita que observar equivale a participar. A elite verdadeira funciona por outro princípio: pertencimento precede o olhar. Quem vê sem autorização expõe o próprio desajuste. Por isso as máscaras.

    A ameaça jamais assume tom histérico e rosto. Ela se expressa com calma administrativa. Há regras. Há consequências. A violência aparece como possibilidade organizada, não como explosão. Kubrick descreve o poder que se protege com eficiência, economia de gestos e terceirização do custo moral. A mulher que se oferece para salvar Bill não encarna sacrifício romântico. Ela cumpre função sistêmica. Isto é, um sistema que absorve o desvio, elimina o ruído, preserva o núcleo de sua hierarquia. Bill sai vivo porque é útil. Ele aprende a diferença entre circular e pertencer. Ele descobre um outro mundo. Um mundo que não pode pertencer.

    O mérito do filme está em evitar discurso conspiratório vulgar. Nada sugere sociedade secreta governando o mundo. O que se vê é mais banal e mais perturbador: elites que se reconhecem, se protegem e se reproduzem por códigos informais, invisíveis ao discurso público. O poder real está longe da indignação e paixões mobilizadoras. O poder se organiza sem ostentação.

    Kubrick dispensa o conforto da denúncia moral. Bill não sai transformado em herói. Ele retorna ao seu lugar. A vidinha ordinária do bom cidadão. O choque não produz revolução interior. O espectador acompanha alguém que vê demais e continua vivendo. O custo da lucidez aparece alto demais para ser pago integralmente. Melhor fechar os olhos.

    A atualidade do filme reside aí. Em tempos de exposição permanente e escândalos públicos, Kubrick lembra que a superfície do choque raramente atinge o centro do poder. A revelação excita, indigna, cansa. O sistema permanece. Ele conta com o esquecimento, com a troca de assunto, com o retorno à normalidade.

    Kubrick filmou o liberal ilustrado como figura trágica do mundo moderno. Engolido pela própria estupidez. Alguém convencido de que mobilidade social equivale a pertencimento simbólico. A fronteira invisível desmonta essa fantasia sem discurso. Basta ritual fechado, senha indevida, aviso em tom calmo. No fim, o título assume pleno sentido. Olhos bem fechados expressam escolha. Ver custa. Pertencer custa mais. A maioria prefere seguir em frente e fingir que nada está acontecendo. Kubrick sugere que algumas portas existem apenas para lembrar quem jamais deveria tentar abri-las.

    Em 5 de março de 1999, Kubrick realizou uma segunda exibição do filme para um representante britânico da Warner Bros. em sua casa em Childwickbury. Kubrick morreu repentinamente dois dias depois, vítima de um ataque cardíaco.

    FONTE

    Compartilhar. Facebook Twitter Pinterest LinkedIn Tumblr E-mail
    AGENCIA CAF
    • Local na rede Internet

    Related Posts

    o fim do império woke está próximo?

    maio 19, 2026

    entenda quem foi o filósofo que reinventou Deus

    maio 17, 2026

    a música antiaborto de Michael Jackson

    maio 17, 2026

    Cinco previsões certeiras de “Choque de Civilizações”

    maio 16, 2026

    Filme sobre Bolsonaro seria o mais caro já feito no Brasil?

    maio 14, 2026

    Rod Stewart parabeniza Charles III por alfinetada em Trump

    maio 12, 2026

    Deixe uma resposta Cancelar resposta

    Top Posts

    Wenceslau Júnior lança pré-candidatura a deputado estadual em evento nesta sexta-feira (24), em Itabuna

    abril 17, 202614 Visualizações

    Datafolha: Brasileiros se informam por TV e redes sociais – 09/03/2026 – Política

    março 10, 202611 Visualizações

    Polilaminina não pode ofuscar reabilitação, diz médica – 07/03/2026 – Equilíbrio e Saúde

    março 8, 202611 Visualizações
    Não perca

    Impactos e Riscos para o Agronegócio

    maio 24, 2026

    Meteorologistas alertam para a formação de um Super El Niño em 2026, com 80% de…

    Mmotociatas não estão nos planos de Flávio Bolsonaro – 24/05/2026 – Painel

    maio 24, 2026

    ‘Quem Ama Cuida’: Romulo Arantes Neto se despede de Pituxo – 23/05/2026 – Televisão

    maio 24, 2026

    Mato-grossense vence Miss Hispanic Brasil e vai a mundial – 23/05/2026 – De faixa a coroa

    maio 24, 2026
    Manter contato
    • Facebook
    • YouTube
    • TikTok
    • Whatsapp
    • Twitter
    • Instagram
    Últimas revisões
    Comércio

    Cinco filmes sobre futebol que tratam o esporte como ele merece

    fevereiro 19, 202610 Visualizações

    Morre aos 78 anos o ator e diretor Dennis Carvalho

    fevereiro 28, 20266 Visualizações

    6 filmes no streaming para assistir com a família na Páscoa

    abril 1, 20265 Visualizações
    Indústria

    Impactos e Riscos para o Agronegócio

    maio 24, 2026

    Entenda por que é difícil parar de ser sedentário – 23/05/2026 – Equilíbrio

    maio 24, 2026

    Chile quer ampliar exportações ao Brasil

    maio 23, 2026

    Assine para atualizações

    Receba as últimas notícias criativas sobre arte, design e negócios.

    Giro Itabuna
    • Anunciar
    Copyright © 2026. Todos os Direitos Reservado.

    Type above and press Enter to search. Press Esc to cancel.