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    Home » Estados terão de aderir a plano de Lula para acessar R$ 11 bilhões contra o crime
    Política

    Estados terão de aderir a plano de Lula para acessar R$ 11 bilhões contra o crime

    AGENCIA CAFPor AGENCIA CAFmaio 12, 2026Nenhum comentário8 minutos de leitura0 Visualizações
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    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lançou, na manhã desta terça-feira (12), o plano “Brasil contra o Crime Organizado”, que pretende reforçar as ações de segurança pública principalmente contra as grandes facções criminosas, asfixiar financeiramente as organizações, aumentar as taxas de esclarecimento de homicídios e enfrentar e combater o tráfico de armas e munições.

    O pacote de medidas prevê um investimento direto de R$ 1,06 bilhão do Orçamento de 2026 e mais R$ 10 bilhões através de empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aos estados que aderirem. O plano é estruturado através de um decreto e quatro portarias, além de regulamentar pontos da chamada “Lei Antifacção”.

    “Se a gente não trabalhar juntos, a gente não consegue vencer. E o crime organizado se aproveita da nossa divisão. […] O que estamos fazendo hoje é um sinal para dizermos ao crime organizado, de que eles não serão mais donos de nenhum território. O território será devolvido ao povo brasileiro”, disparou o presidente durante o discurso.

    Lula ainda citou que o combate ao crime organizado precisará passar por uma discussão com o Poder Judiciário que, diz, é alvo de reclamações e críticas de polícias e governadores de que coloca em liberdade os presos durante operações policiais.

    O petista ainda fez questão de lembrar que reforçou ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na semana passada, a disposição para uma ação integrada para o combate ao crime organizado que “está espalhado por todas as categorias existentes a nível internacional”, como no setor financeiro, político e até mesmo no esporte. Um documento por escrito foi entregue ao mandatário norte-americano na reunião em Washington.

    “Muitas vezes, o criminoso não é o pobre, o negro, o desempregado que está em um bairro pobre. Muitas vezes, o responsável está no andar de cima engravatado tomando whisky e zombando da nossa cara. Nós chegaremos nele um dia”, completou.

    VEJA TAMBÉM:

    • Polícia Federal

      PF mira 71 alvos do crime organizado horas antes de pacote de Lula contra facções

    A cerimônia de lançamento, realizada no Palácio do Planalto, em Brasília, colocou no mesmo palco o presidente Lula e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), que adiantou mais cedo que acredita na manutenção da chamada “Lei da Dosimetria” pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Lula vetou a lei e teve o veto derrubado, mas a aplicação da legislação acabou barrada pelo ministro Alexandre de Moraes.

    “Ao longo dos últimos anos, a Câmara dos Deputados assumiu a segurança pública como uma prioridade, sem partidarizar o tema, porquê segurança não pertence ao governo e nem à oposição”, afirmou Motta citando a aprovação de aproximadamente 50 projetos em sua gestão.

    O parlamentar ressaltou que a Câmara aprovou a PEC da Segurança Pública e que espera que o Senado dê andamento à proposta. Pouco depois, Lula agradeceu a Motta pela aprovação de projetos de interesse do governo na casa.

    Também participaram do evento o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). Já o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não compareceu — ele está com relações conturbadas com Lula.

    O presidente ainda afirmou contar com o Senado para aprovar a PEC da Segurança Pública e prometeu criar um ministério específico para a área, que foi uma promessa de campanha. A proposta concentra na União a elaboração de diretrizes de combate ao crime organizado, mas sem invadir as atribuições dos governadores e das polícias estaduais.

    Lula tenta recuperar narrativa de combate ao crime

    O lançamento do “Brasil contra o Crime Organizado” é uma tentativa de resposta do governo Lula, em seu último ano deste terceiro mandato, contra a principal preocupação dos brasileiros segundo as pesquisas de opinião e avaliação do governo. O objetivo do petista é mostrar que está comprometido com a segurança pública a cinco meses das eleições em que tentará a reeleição.

    O plano vem sendo gestado entre vários ministérios, entre eles Fazenda e Justiça e Segurança Pública, em conjunto com estados, especialistas e forças de segurança pública. Lula intensificou as reuniões com os ministros destas pastas nas últimas semanas para costurar o texto.

    “Além de uma escuta qualificada de todos esses atores, tínhamos que colher sugestões e envolvê-los no pertencimento, na participação e no engajamento desse programa. Nenhum programa se viabiliza se não tiver uma adesão massiva de todos os atores importantes para a execução”, afirmou o ministro Wellington César Lima e Silva, da Justiça.

    Silva afirmou, ainda, que apresentará novas diretrizes para o programa Celular Seguro e de medidas de combate ao feminicídio. A expectativa é de que os anúncios ocorram na próxima semana.

    Inicialmente, o governo previa um investimento de R$ 960 milhões, mas que foi sendo corrigido ao longo da última semana para os atuais patamares através de uma suplementação orçamentária assinada pelo presidente.

    A movimentação do Palácio do Planalto ocorre também em meio à pressão política de adversários ligados ao discurso de linha dura contra o crime. Lula pode enfrentar nas urnas o senador Flávio Bolsonaro (PL-TJ) e o ex-governador goiano Ronaldo Caiado (PSD-GO), dois nomes que têm a segurança pública como uma das principais bandeiras políticas.

    Objetivos do programa

    Os recursos direcionados para o plano compreendem: R$ 388,9 milhões para ações de asfixia financeira das facções criminosas, R$ 330,6 milhões para o eixo do sistema prisional, R$ 201 milhões para esclarecimento de homicídios e R$ 145,2 milhões para ações de enfrentamento ao tráfico de armas.

    Já os R$ 10 bilhões restantes através de empréstimo do BNDES serão destinados apenas aos estados que aderirem ao plano, em que poderão utilizar os recursos para a aquisição de equipamentos, reforma de estabelecimentos penais e soluções tecnológicas para segurança pública. Os recursos são provenientes do Fundo Nacional de Investimento em Infraestrutura Social (FIIS).

    Na questão de “asfixia financeira”, o governo pretende atacar diretamente as estruturas usadas pelo crime organizado para movimentar dinheiro e manter suas operações. A proposta prevê identificar e neutralizar empresas, fundos e cadeias logísticas utilizadas por facções criminosas e milícias em diferentes regiões do país.

    O decreto também cria uma Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) Nacional e amplia o Comitê de Inteligência Financeira e Recuperação de Ativos (Cifra). A intenção do Planalto é centralizar operações e integrar órgãos de segurança pública envolvidos nas investigações contra organizações criminosas.

    “Trabalharemos diretamente em dois dos eixos [do plano]: o de asfixia financeira, que temos uma expertise e estamos aprimorando e investindo na ampliação da nossa capacidade, e também no enfrentamento ao tráfico ilícito de armas”, afirmou o diretor-geral substituto da Polícia Federal, William Murad.

    Outra frente do programa será o endurecimento da segurança em 138 presídios estaduais, que deverão seguir padrões semelhantes aos das penitenciárias federais. A proposta inclui instalação de bloqueadores de celular, equipamentos modernos de raio-x e sistemas mais rígidos de revista.

    “Muda o bloqueador de sinal [de celular] funcionando de verdade, o protocolo de segurança dessas unidades, o controle de visitantes, o isolamento das lideranças, que passa a ser de verdade, e não apenas para inglês ver”, disparou André de Albuquerque Garcia, secretário nacional de Políticas Penais.

    O objetivo é impedir que líderes de facções continuem comandando crimes de dentro das cadeias. O plano ainda prevê a criação de um centro nacional de inteligência penitenciária para coordenar ações integradas entre União e estados dentro do sistema prisional.

    O governo também quer aumentar os índices de esclarecimento de homicídios no Brasil por meio da padronização dos registros criminais e do compartilhamento de bancos de dados entre os estados. O projeto prevê reforço das polícias científicas e ampliação da estrutura de perícia criminal.

    Segundo dados citados pelo governo, apenas 36% dos homicídios são solucionados atualmente no Brasil, número abaixo da média mundial, que é de 63%. Dentro desse eixo, o Executivo prevê investimentos no fortalecimento dos Institutos Médicos Legais, com compra de equipamentos de DNA e freezers para armazenamento pericial.

    No combate ao tráfico de armas, a meta do governo é ampliar o cerco contra o acesso de facções e milícias a armamentos e munições. A estratégia deve reforçar a atuação da Rede Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Armas, Munições, Acessórios e Explosivos, criada em março e formada pelos ministérios da Justiça, Defesa e Fazenda.

    Como o plano está estruturado

    Veja abaixo, em detalhes, como o plano “Brasil contra o Crime Organizado” está estruturado:

    Eixo 1 — Asfixia financeira do crime organizado

    • Criação da Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCO) Nacional para operações interestaduais de alta complexidade.
    • Reforço das FICCOs estaduais;
    • Expansão dos Comitês Integrados de Investigação Financeira e Recuperação de Ativos (CIFRAs) para investigação financeira e recuperação de ativos;
    • Uso de novas tecnologias para análise criminal e extração de dados de celulares;
    • Ampliação de leilões de bens apreendidos do crime organizado;
    • Operações integradas mensais entre abril e setembro.

    Eixo 2 — Segurança máxima no sistema prisional

    • Implantação de padrão de segurança máxima em 138 presídios estaduais;
    • Compra de drones, scanners, bloqueadores de celular, raios X e equipamentos de vigilância;
    • Criação do Centro Nacional de Inteligência Penal (CNIP);
    • Operações para apreensão de celulares, armas e drogas dentro de presídios;
    • Fortalecimento da inteligência penitenciária e capacitação de servidores;
    • Padronização nacional de protocolos de segurança.

    Eixo 3 — Ampliação da solução de homicídios

    • Reforço das polícias científicas e dos Institutos Médico-Legais (IMLs);
    • Ampliação dos bancos de perfis genéticos e do sistema nacional de análise balística;
    • Compra de equipamentos periciais e laboratoriais;
    • Distribuição de viaturas refrigeradas, mesas de necropsia e equipamentos de DNA aos estados;
    • Modernização da estrutura de investigação e perícia criminal.

    Eixo 4 — Combate ao tráfico de armas e explosivos

    • Criação da Rede Nacional de Enfrentamento do Tráfico de Armas, Munições, Acessórios e Explosivos (RENARM) para integração nacional no combate ao tráfico de armas;
    • Fortalecimento do Sistema Nacional de Armas (SINARM) e de delegacias especializadas;
    • Ampliação da rastreabilidade de armas, munições e explosivos;
    • Operações integradas de fiscalização e combate ao desvio de armas;
    • Investimentos em drones, helicópteros, embarcações, viaturas blindadas e tecnologia de fronteira;
    • Reforço de inteligência e monitoramento de rotas do tráfico.

    FONTE

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