
Meteorologistas alertam para a formação de um Super El Niño em 2026, com 80% de chance de ocorrer. O fenômeno, que aquece as águas do Pacífico, traz memórias da catástrofe de 1877 e ameaça encarecer os alimentos no Brasil devido a secas no Norte e chuvas excessivas no Sul.
O que é o fenômeno El Niño e como ele funciona?
O El Niño é um evento climático que acontece quando as águas do Oceano Pacífico, na região da linha do Equador, ficam bem mais quentes do que o normal. Esse calor muda a circulação dos ventos e da umidade no mundo todo. No Brasil, o resultado costuma ser quase sempre o mesmo: muita chuva no Sul e uma seca severa nas regiões Norte e Nordeste, prejudicando a produção de comida.
Por que o evento histórico de 1877 é usado como comparação?
Naquela época, ocorreu o Super El Niño mais intenso já registrado, que causou a morte de até 50 milhões de pessoas no mundo devido à falta de comida. No Brasil, o Nordeste enfrentou a Grande Seca, que matou cerca de 500 mil pessoas por fome e doenças. Hoje, os institutos mostram que o aquecimento do oceano em 2026 pode atingir temperaturas parecidas com as daquele período trágico.
Existe risco de uma mortalidade em massa como no passado?
Não é provável. Atualmente, o mundo é globalizado e possui tecnologias que não existiam no século 19. A ONU e outros órgãos avaliam que os avanços na logística e na previsão de safras oferecem mecanismos de ajuda para evitar fomes generalizadas. O grande desafio agora não é a sobrevivência da população, mas sim o impacto econômico e o controle dos preços dos produtos.
Quais são as principais dificuldades para os produtores rurais?
O problema central é a incerteza. Embora se saiba que vai chover ou secar, os modelos climáticos não conseguem prever exatamente quando isso vai acontecer. Se a chuva vier toda de uma vez e faltar no período em que a planta está enchendo os grãos, a colheita é prejudicada. Sem previsões exatas, o produtor acaba apenas reagindo ao clima, em vez de se preparar, o que causa perda de qualidade.
Como esse fenômeno vai pesar no bolso do consumidor?
A apreensão do campo chega rapidamente aos supermercados. Setores de alimentação já projetam altas de até 15% nos custos. Os itens mais sensíveis ao calor e à falta de chuva, como frutas, legumes e hortaliças, são os primeiros a subir. Itens básicos como soja e milho também correm risco, o que pode gerar uma pressão inflacionária nos alimentos ao longo do ano.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.



